quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Parque Nacional do Jaú


O Parque Nacional do Jaú é o maior parque nacional do Brasil e do mundo, em floresta tropical úmida contínua e intacta. Localizado entre os municípios de Novo Airão e Barcelos, ao norte do Amazonas, leva o nome do principal rio do Parque, e de um dos maiores peixes brasileiros: o jaú. Hoje, esse paraíso ecológico é conhecido como modelo de Unidade de Conservação na Amazônia, formando, juntamente com as Reservas de Desenvolvimento Sustentável de Amanã e de Mamirauá, o maior corredor biológico preservado do mundo em selva equatorial, com mais de 5,7 milhões de hectares.

O parque preserva a maior bacia de águas pretas do mundo, a do Rio Negro. O tom escuro das águas vem das nascentes que brotam de terras muito antigas – o que deixa os rios carregados de elementos orgânicos e ferro. Seu relevo é bastante diversificado, abrangendo áreas inundáveis, planícies, colinas, igapós, igarapés e matas de terra firme. Banhado pelos rios Negro, Jaú, Carabinani, Unini, Pauini e Canauaru, o Parque do Jaú também concentra diversas cachoeiras de beleza sem igual.

Essa região foi o primeiro pólo de colonização na Amazônia, feita por indígenas e marcada por duras batalhas pela posse do território. Há relatos de achados arqueológicos de cerâmica e petroglifos escritos em pedra.

O Parque Nacional do Jaú ainda não está preparado para ampla visitação turística. Normalmente recebe visitas de pesquisadores, que ficam em alojamentos do Ibama, preparados para receber no máximo oito pessoas.

Para agendar visitas, é necessário contato prévio com o posto do Ibama no parque, com pelo menos um mês de antecedência, pelo telefone: + 55 (92) 613-3277, no ramal 229. O turismo de visitação ao rio Carabinani também só acontece em pequena escala.

O período ideal para visitas é entre julho e novembro. O parque fica aberto diariamente das 7h às 18h..

Estudos botânicos desenvolvidos no Parque já catalogaram cerca de 400 espécies de plantas. Várias delas estão restritas a determinados ambientes encontrados somente no Parque do Jaú, como as matas de igapó e as matas de terra firme.

O parque também abriga uma rica fauna - comparável a várias das Unidades de Conservação da Amazônia. Até o momento, já foram catalogados 263 espécies de peixes nos limites do Parque Nacional do Jaú, sendo que algumas delas ainda eram desconhecidas pela ciência. Este número representa uma boa parte da ictiofauna descrita na Bacia do Rio Negro – cerca de 500 espécies -, reforçando a validade do parque como área de proteção.

Constantemente úmido, típico de florestas tropicais. O período mais chuvoso compreende os meses de dezembro a abril. A temperatura média anual fica em torno de 24 a 26ºC – com máxima absoluta de 38 a 40ºC e mínima absoluta de 12 a 16ºC.

Os maiores municípios nas proximidades do Parque são Novo Airão, que está ao Sul; e Barcelos, ao Norte. Em ambos, há locais para simples hospedagem, além de restaurantes e lanchonetes que atendem a população local e eventuais visitantes.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Ilhabela e Litoral

Praias

Dezenas de praias disputam a preferência dos turistas. No lado oeste da ilha, voltadas para o continente, ficam as praias com melhor estrutura turística. O acesso para as praias de Castelhanos e do Bonete – na costa leste e voltadas para o mar aberto – é difícil; a estrada de barro exige veículos 4x4.

Cachoeiras

A Cachoeira da Toca, com piscina natural e pedras usadas como tobogã, é um dos pontos turísticos mais tradicionais de Ilhabela. A maior parte do acesso é feita em estrada pavimentada, restando apenas o trecho final em estrada de terra. A Cachoeira do Gato se destaca pela queda d'água de 70 m de altura – a trilha de acesso é de dificuldade média e dura cerca de 45 min, a partir da Praia de Castelhanos. Já a Cachoeira do Lage, no caminho para a praia do Bonete (é preciso 1h de caminhada), tem queda de 60 m.

Centrinho

O centrinho de Ilhabela tem comércio bastante diversificado: bares e restaurantes, lojas de grife, de artesanato e de equipamentos náuticos. É ali, também, que se concentra o agito da vida noturna.

ATIVIDADES

Mergulho

O inglês Dart (1884), o transatlântico espanhol Príncipe das Astúrias (1916) e o alemão Sigmund (1929) estão entre as dezenas de navios que naufragaram no Canal de São Sebastião e que hoje despertam a curiosidade dos mergulhadores experientes. Para principiantes, um dos melhores pontos de mergulho é a Ilha das Cabras, de fácil acesso e exuberante vida marinha.

Pesca esportiva

Empresas especializadas oferecem programas de pesca esportiva embarcada no mar do entorno da ilha. Passeio de escuna O roteiro mais comum costeia as praias do Norte da ilha, com paradas na Praia da Fome e na Praia de Jabaquara.

Passeio de lancha

Roteiro similar ao do passeio de escuna, com possibilidades de se efetuar percurso personalizado, que inclui exploração das praias da Fome, Saco do Eustáquio e Castelhanos.

Passeio de jipe

As operadoras locais fazem excursões de jipe para grupos de até 12 pessoas até a Praia de Castelhanos, localizada a 24 km da vila. A estrada de terra é precária, cruza rios e cachoeiras e alcança a altitude de 800 m, num percurso de aproximadamente 1h30 até a praia.

Trekking

Para quem gosta de caminhar, Ilhabela oferece trilhas com todos os níveis de dificuldade. A da Água Branca, com 2.145m de extensão, é de baixa dificuldade. O percurso começa na entrada do Parque Estadual de Ilhabela e inclui seis cachoeiras, áreas para piquenique e identificação de diversas espécies de árvores. As trilhas do Bonete e da cachoeira da Lage são mais difíceis – ambas exigem bom preparo físico. A partir da Ponta da Sepituba, onde há estacionamento, os 13 km de trilha são bastante acidentados e atravessam três cachoeiras, paradas para merecido descanso durante as três ou quatro horas de caminhada. Todas as trilhas dentro do Parque Estadual de Ilhabela precisam de guia. Informações: (12) 3896-2660.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Uma escapada por Lavras Novas, distrito de Ouro Preto e novo refúgio de quem quer sossego em Minas

BELO HORIZONTE - Construída em um vale aos pés da Serra do Trovão, Lavras Novas tem arquitetura colonial e ruas de pedra dividem espaço com trilhas, cachoeiras e mirantes. A fundação do distrito de Ouro Preto é um mistério. Alguns historiadores acreditam que ali existia um quilombo, fundado por escravos fugitivos vindos de Ouro Preto. Outros rejeitam a versão, já que a área de mineração era uma das mais vigiadas, além de ser um trajeto frequentado por autoridades que seguiam para Ouro Branco, um importante polo econômico no período colonial. O seu nome, inclusive, evoca mineração: lavra significa exploração comercial de uma jazida, local de onde se extrai metal ou pedras preciosas. Lavras Novas também era um mistério para os turistas, que começam a desvendar o vilarejo, e a apelidá-lo de "Nova Tiradentes", em referência à cidade histórica que a partir dos anos 90 começou a atrair mais atenção e novos frequentadores (como o ator Jonas Bloch, que fez algumas das fotos desta reportagem). A vila conta com pousadas e restaurantes charmosos, e você pode conhecê-la em um fim de semana.

É importante saber que Lavras Novas não oferece alguns serviços. Por isso, vá preparado: não há nela banco ou caixas eletrônicos, farmácia, hospital, oficina mecânica, posto de gasolina e serviço de táxi. Afinal de contas, existe um preço para o clima de cidade perdida do interior se manter...

Distrito de cerca de 3 mil habitantes tem 30 pousadas

Chegando ao aeroporto Tancredo Neves, em Confins, alugue um carro e siga para Belo Horizonte, a pouco mais de 40 quilômetros. Experimente um novo bar que se vem se destacando entre os vários que são marca da cidade, o Albano's Lourdes. Instalada num imóvel tombado de 1936, a casa oferece dez tipos de chopes (R$ 4,60, a tulipa) e 26 tira-gostos. Faz sucesso o Combinado I: carne de sereno, linguiça a caçador, costelinha defumada, mandioca e fritas (R$ 31,80). Se preferir jantar, a chef Luciana Drummond indica o Frango a Sabará, grelhado e recheado com bacon e requeijão, coberto com geleia de jabuticaba (R$ 24). No bairro, pernoite no BH Platinum, antes de pegar a estrada.

De Belo Horizonte a Lavras Novas são 117 quilômetros, ou uma hora e meia de estrada. Siga pela BR-040, entre no trevo de Ouro Preto e na altura do km 95, no trevo que indica Mariana. Após passar pelo trilho de trem, vire à direita. Continue até a Estrada Real. Nos dois entroncamentos, vire à esquerda. São sete quilômetros de estrada de terra.

Há cerca de trinta pousadas no distrito. Uma das mais luxuosas é a Canto dos Prazeres, com sete apartamentos. O chalé presidencial possui 90 metros quadrados e uma vista para o Parque Estadual do Itacolomi, além de lareira e hidromassagem.

Com um calçado confortável, siga até a Rua Nossa Senhora dos Prazeres, cuja igreja, do princípio do século XVIII, domina a paisagem. Ao redor, janelas de madeira de casas coloniais se abrem as ruas de pedra.

Lendas e "causos" tomam conta da conversa dos aproximadamente 3 mil habitantes. Não raramente ouve-se a lenda da Mãe-de-Ouro, que aparece em forma de bola de fogo e passeia pelas capoeiras onde existe o metal, mas não deve ser explorado.

Dê um pulo ao ateliê de Carlos Aurélio Ribeiro Carvalho, o Seu Carlos, que, aos 63 anos, usa fibras de bananeira, coqueiro e taquara para fazer cestas e balaios que podem ser encomendados a preços que variam de R$ 5 a R$ 80.

- Um fim de semana aqui equivale a três meses de terapia - brinca o ator Jonas Bloch, proprietário da loja de decoração Menestrel, que tem esculturas feitas por ele.

Jonas foi apresentado ao distrito pela mulher, a jornalista Maria Silvia Zica, e em 1999, comprou um terreno. Hoje, mantém um ateliê na vila.

- Aqui realmente se parece com uma Tiradentes de anos atrás. Não é uma terra explorada - diz.

Quando a fome for chegando, vá em direção ao cheirinho de tempero que sai das panelas de pedra do restaurante Seu Domingos. No comando do fogão à lenha, está dona Vera, que recebe os clientes com comidas típicas como o frango com quiabo e torresmo (R$ 10 por pessoa).

- Ainda dá pra experimentar uma cachacinha (R$ 2 a dose) da região pra abrir o apetite - ensina Vera, que antes de inaugurar o estabelecimento, há 17 anos, servia seus quitutes em sua própria cozinha. - Cada vez tinha mais gente, aí o jeito foi arrumar um lugar maior.

No fim da tarde, assista ao pôr do sol do Mirante da Serra do Trovão. São 30 minutos de caminhada para se ver o mar de montanhas, em que se destaca o Pico do Itabirito, a Serra do Caraça e Ouro Preto.

Lavras Novas pode ser coberta por neblina a qualquer hora do dia ou da noite, criando cenários novos. Com a temperatura média de 21 graus Celsius, podendo chegar à mínima de 4 graus Celsius, é bom ter sempre na mala um casaco, mesmo no verão. Aproveite o clima para um jantar à luz de velas. Instalada em uma casa de dois andares feita de pau à pique, a Taberna Casa Antiga oferece um cardápio variado, além de pequenos shows de música nos fins de semana. No menu, a porção de pastel de angu (R$ 25, com dez unidades) é uma das mais pedidas. Como prato principal, o Vingara (tornedor de filé mignon ao molho de vinho malbec reduzido, acompanhado de risoto de funghi, a R$ 56) e o escondidinho de carne com abóbora (R$ 30) são os carros-chefes do estabelecimento. Para acompanhar, a carta de vinhos conta com argentinos e chilenos, em média a R$ 70 a garrafa. Fechando a noite, peça a torta de pera quente ao creme de avelã com sorvete (R$ 25).

- Aqui tudo é pertinho, dá para ir caminhando de um lugar para o outro - diz a chef Marcela Saldanha. Aproveite a dica para ir andando pelas ruelas e becos do distrito, sentindo o silêncio da madrugada.

Aventure-se no Arraial da Chapada

Depois do café da manhã, aventure-se nos esportes radicais. O passeio oferecido pela Ecoventura até o Arraial da Chapada e a cachoeira do Castelinho leva aproximadamente três horas por um belo trajeto. Ele pode ser feito de jipe (R$ 50, por pessoa) ou quadriciclo (R$ 100, por pessoa). Não se esqueça de levar protetor solar, água, roupa de banho e máquina fotográfica.

No vilarejo, de apenas 500 metros, as casas são distribuídas ao redor de uma capelinha, construída no século XIX, e nelas vivem apenas 65 pessoas. Além da arquitetura histórica, o local é rodeado por uma natureza exuberante. Nas trilhas, você encontra bromélias, antúrios e a samambaiaçu, um tipo de samambaia gigante. Além de pássaros como bem-te-vi, tico-tico e o jacu.

A Cachoeira do Castelinho, também conhecida como Chapada, fica a 9km do centro de Lavras Novas e agrada tanto aos que querem sossego quanto aos aventureiros. Chegando nela, suba o riozinho, onde existem vários poços quase sempre desertos. Se continuar a subida, considerada difícil, com obstáculos e pedras, você vai encontrar uma linda caverna, com três quedas d'água. Há também a opção de ir caminhando ou cavalgando até a Represa do Custódio, um dos cartões-postais do lugar. Se escolher a segunda opção, Jessy Corrêa, o seu Jessy, aluga cavalos (R$ 50, cada) e ainda se faz de guia contando, as curiosidades do caminho. Com 3km de extensão e 20 metros de profundidade, é perfeita para banho e pesca.

Na hora da fome, vá ao restaurante Bem-ti-vi, localizado na rua principal. Serve comida mineira, caprichada no tempero caseiro. Um dos pratos mais procurados é o feijão tropeiro, acompanhado de arroz, batata, carne (alcatra, frango ou lombo), ovo frito, couve e torresmo (R$ 19,90, para duas pessoas). Se optar por uma comidinha mais leve, o Frango Ensopado com arroz e couve (R$ 10, individual) é uma boa pedida.

Antes de voltar para Belo Horizonte, passe no bistrô Mariazica, onde Maria Silvia, a proprietária (e mulher de Jonas Bloch), prepara doces caseiros. Roscas, biscoitos e tortas, como a de chocolate com maracujá (R$ 9, a fatia) atraem moradores de toda a região. Para levar, peça a bananada (R$ 10, 500 gramas), que vem acompanhada de uma receita de suflê de banana com calda de requeijão e creme de leite.

- É fácil de fazer e fica lindo, qualquer um parece que cozinha muito - brinca Silvia.
ONDE FICAR:

BH Platinum: Diárias a partir de R$ 274 (casal). O estacionamento é a parte e sai por R$ 10 por dia. Av. Olegário Maciel 1.748, Lourdes, Belo Horizonte. Tel. (31) 2125-3800. www.promenade.com.br

Pousada Canto dos Prazeres: O pacote de três dias custa R$ 1 mil. Rua Alto do Campo 131. Tel. (31) 3554-2211 e (31) 9874-0542. http://pousadacantodosprazeres.com.br

Carumbé: Pacotes de fim de semana para o casal a partir de R$ 480. Rua das Tulipas 220. Tels. (31) 3554-2105 e (31) 9955-5324. www.carumbe.com.br

ONDE COMER:

Albano's Lourdes: Rua Rio de Janeiro 2.078, Belo Horizonte. Tel. (31) 3292-6221. www.albanos.com.br

Taberna Casa Antiga: Rua Alto do Campo 215. Tel. (31) 3554-2040. www.lavrasnovas.com.br/galodocampo

Seu Domingos: Final da Rua Nossa Senhora dos Prazeres. Tel: (31) 3554-2021. www.lavrasnovas.com.br/serradoluar

Mariazica Bistrô: Rua das Flores, 25 A. Tel: (31) 3554-2263

COMPRAS:

Menestrel: Rua Alto do Campo 287. Tel. (31) 3554-2088.

Artesanato do Seu Carlos: Rua Nossa Senhora dos Prazeres 745.

PASSEIOS:

Ecoventura: Rua dos Prazeres 529. Tel. (31) 8868-5141. www.lavrasnovasecoventura.com.br

Passeio de cavalo: O aluguel dos cavalos do seu Jessy é feito na Rua do Campo 240. Tel. (31) 9793- 0247.

Bem-ti-vi: Rua Nossa Senhora dos Prazeres 480. Tel. (31) 3554- 2103. www.lavrasnovas.com.br/restaurantebemtiv i

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Entre o passado mouro e a modernidade de Santiago Calatrava, uma Valencia surpreendente

VALENCIA - Desde o início da década, Valencia, mais conhecida como a terra natal da paella, tem sido captada pelo radar de viajantes mais experientes. A partir de 2005, quando terminou a obra do museu futurista de Santiago Calatrava, a Cidade das Artes e das Ciências, bairros com sotaque mais mouro foram sendo ocupados por butiques e restaurantes e outras atrações noturnas. Uma nova linha de trem de alta velocidade (AVE) agora liga Valencia a Madri, a cerca de 300 quilômetros, e facilita uma visita a esta cidade à beira-mar, que oferece bem mais do que um famoso prato à base de arroz.

Festas para os olhos no Mercado Central e na Cidade das Artes

No Barrio del Carmen, que se estende em uma área de colinas, fica a parte mais antiga da cidade e o seu centro criativo, onde estudantes barbudos e urbanoides elegantes circulam por ruas grafitadas e cafés e galerias se espalham por praças medievais. O grande Mercado Central, recentemente, tornou-se um local de festas da alta moda, recebendo celebrações de grifes como Prada e Aston Martin, entre outros. Butiques estilosas estão instaladas na antiga Lonja de la Seda, prédio do fim do século XV onde o tecido era vendido. Duas das melhores, Bugalú e Madame Bugalú y Su Caniche Asesino, têm roupas e acessórios de designers de Espanha, França e Suíça, assim como marcas que fazem sucesso em vários países, como o macaquinho Paul Frank.

Valencia é a terra natal da horchata, uma bebida feita de suco de chufas, um tubérculo muito cultivado nos arredores da cidade. A criação da horchata data do período de dominação islâmica na cidade, entre os séculos VIII e XIII. Você pode prová-la na Horchatería El Sigla, em Carmen. Peça um copo (2,20 euros) com café com leite (1,30 euro) e combine-o com outra especialidade valenciana: o farton (0,50 euro), um doce feito de massa com açúcar polvilhado.

O panorama de restaurantes de Valencia já foi desolador, mas agora está mudado por talentos criativos emergentes. Carosel, um lugar despretensioso, mas muito chique, que abriu em Carmen há um ano, tornou-se proeminente. O chef valenciano Jordi Morera serve a cozinha tradicional com algumas variações detectáveis, como um miniguisado de lula com alcachofras e amêndoas. O cardápio de preço fixo muda toda semana, mas sempre é uma bagatela de 22 euros.

No fim da noite, a ação converge para a Plaza del Tossal, em Carmen. Os moradores evitam as espalhafatosas armadilhas para turistas e dirigem-se ao Bar los Picapiedra, uma casa temática com decoração que imita a Idade da Pedra, em que estudantes, boêmios e outros clientes bebem grandes quantidades de sidra, derramadas de enormes jarras de vidro, que lembram um pouco regadores (7 euros), e ouvem rock espanhol alternativo.

No verão passado, Valencia adotou o Valenbisi, um sistema público de aluguel de bicicletas. Pegue uma perto da Torres de Serranos, uma das portas de acesso à cidade, e pedale sob uma série de pontes ao longo do Jardín del Turia, decorado com palmeiras, rumo à Cidade de Artes e Ciências. A fachada curva e ondulada lembra desde um esqueleto de baleia à metade superior de um olho gigante, completado pela sua imagem refletida no espelho d'água a sua frente. Mais ao sul, no complexo marinho L'Oceanografico, você pode se surpreender por túneis em tornos dos quais tubarões nadam.

Construído na maior parte na década de 1920, o bairro de Rusaffa tornou-se um centro de imigrantes muçulmanos, a partir da segunda metade do século passado. Esta influência ainda é dominante, com mercados de produtos do Oriente Médio e do Leste da Ásia e cafés espalhados pelas ruas. Se o Barrio del Carmen se tornou cada vez mais turístico, Rusaffa transformou-se num pouso alternativo para artistas e estudantes. Uma combinação de livraria, bar, área para performances, galeria e editora, a Slaughterhouse Books está onde antigamente funcionava um açougue, e ainda mantém os ganchos de carne como recordação de seu passado. Gnomo, uma butique de design, tem lâmpadas de teto feitas de garrafas de refrigerante recicladas e tubos de proveta com azeite e vinagre.

O Maipi, um pequeno restaurante de tapas em Rusaffa, lota no início da tarde com executivos que aproveitam a hora da siesta para conversar e experimentar petiscos como alcachofras frescas e salsichas de morcela embaladas em massa fina ou bacalhau grelhado temperado com limão e azeite, tendo como pano de fundo uma decoração kitsch e objetos relacionados ao futebol. O almoço para dois costuma sair por volta de 40 euros.

Museu L'Almoina tem ruínas romanas sob piso de vidro

Para saber um pouco mais sobre a história de Valencia, é preciso voltar ao Barrio del Carmen. Lá, um dos melhores lugares a explorar é o Museu L'Almoina, que funciona há três anos no local onde a cidade foi fundada por romanos, em 138 a.C. Visitantes andam sobre pisos de vidro, olhando para baixo, para as impressionantes ruínas escavadas na área. Elas incluem vestígios de banhos romanos, de tumbas visigodas e de uma enfermaria medieval construída pelos mouros para as vítimas de pragas.


O passado islâmico da cidade também é o foco de Balansiya, um restaurante insólito que recria a autêntica culinária da Valencia moura. A decoração árabe-andaluza é requintada, e o jantar a preço fixo inclui tabule, tarrine e cuscuz, além de especialidades menos conhecidas como assaffa (uma pasta andaluza que leva galinha, canela e nozes), waraka inab (folhas de uva recheadas com cereais e vinagrete com sabor de amêndoa e menta) e xarab andalusi (uma bebida feita de frutas, flores, molhos e ervas). O jantar fica entre 20 e 30 euros.

A animação nos clubes noturnos de Valencia só começa depois de 1h. Assim, dá tempo para ir ao Café Negrito para um drinque, depois do jantar. Um bom lugar para testemunhar a noite em estilo de alegre decadência da cidade é o MYA, um clube protegido sob uma passarela paisagística que dá acesso ao museu de ciência Principe Filipe. É o encontro do Studio 54 com a Espanha Imperial e a série "Jersey shore" da MTV.

O ambiente decadente e divertido não se restringe apenas às noitadas. Todos os domingos, ele é levado pelos donos de lojas de sucata e antiguidades para a Plaza de Luis Casanova. A praça é uma área gigante acomodada atrás do estádio de Mestalla (com 55 mil lugares, é o campo do Valencia Club de Fútbol), onde fica o fantástico e eclético mostruário de produtos locais, que são vendidos com grandes descontos.

Ir a Valencia e não provar a paella que tornou famosa a cidade é risco de ser submetido a um inquérito policial na volta para casa. Assim, dirija-se para a melhor paisagem para saborear esta combinação de arroz com carne e frutos do mar: a beira do mar. Uma fila de restaurantes na praia de Valencia fez da paella sua especialidade. La Pepica é a mais conhecida (por boas razões), mas algumas portas adiante está uma escolha melhor ainda, L'Estimat. Na tarde de domingo, o lugar enche com uma multidão saída das igrejas, em busca da paella valenciana (feita com galinha e coelho). O prato, para dois, custa por volta de 70 euros.

Depois do almoço, explore mais esta área da cidade. Há uma iniciativa controversa para pôr abaixo muitos dos bonitos, mas decrépitos, edifícios construídos na virada do século XIX para o XX no bairro litorâneo de Cabanyal, o antigo quarteirão dos pescadores, e ligar a cidade à orla. O objetivo da medida é recuperar um distrito conhecido por crimes, mendicância e prostituição. Antes que seja muito tarde e que o bota-abaixo seja concretizado, passeie pelos murais coloridos de temas marítimos e decrépitas, mas elegantes, casas de veraneio em estilo art nouveau. Não dá para sair de lá sem a esperança de um dia voltar e encontrá-las ainda intactas.

SERVIÇO

COMO CHEGAR DE TREM: O novo trem de alta velocidade vai de Madri a Valencia em cerca de 90 minutos, uma melhora notável em relação ao tempo gasto anteriormente, de quase quatro horas. Os bilhetes de ida e volta custam a partir de 96 euros.

ONDE FICAR:

Hospes Palau de la Mar: Hotel de design construído em duas mansões geminadas do século XIX, combina grandes arcos, trabalhos detalhados em madeira e escadarias de mármore. Tem 66 quartos no estilo minimalista em tons de branco e castanho, com camas com colchas de algodão egípcio e televisões de tela de plasma. Diárias de quartos duplos a partir de 115 euros, se você fizer a reserva com no mínimo 15 dias de antecedência. Navarro Reverter 14. Tel. 34 (96) 316-2884. www.hospes.es

Petit Palace Germanias: Também em um edifício do século XIX, este hotel butique confortável tem 41 quartos na movimentada Russafa. Diárias a partir de 65 euros. Sueca 14. Tel. 34 (96) 351-3638. www.petitpalacehotelgermanias.com

PASSEIOS:

Mercado Central:www.mercadocentralvalencia.es

Valenbisi: Aluguel de bicicletas por 10. www.valenbisi.es

Cidade de Artes e Ciências: O ingresso custa 24,50; o passe de três dias para toda a Cidade das Artes e Ciências sai a 32,40. Av. Autopista del Saler. Tel. (34 90) 210-0031. www.cac.es

Museu L'Almoina: Ingresso: 2 durante a semana; grátis aos sábados e domingos. Plaza de Décimo Junio Bruto.Tel. (34 96) 208-4173. www.valencia.es/almoina

ONDE COMER:

Carosel: Taula de Canvis 6. Tel. (34 96) 1132-873.

Maipi: Maestro José Serrano 1. Tel. (34 96) 373-5709).

Balansiya: Paseo de las Facultades 3. Tel. (34 96) 389-0824. www.balansiya.com

La Pepica: Paseo de Neptuno 6. Tel. (34 96) 371-0366. www.lapepica.com

L'Estimat: Paseo de Neptuno 16. Tel. (34 96) 371-1018. www.restaurantelestimat.com

BARES E CASAS NOTURNAS:

Horchatería El Siglo: Plaza de Santa Catalina 11. Tel. (34 96) 391-8466.

Bar de los Picapiedra: Caballeros 25. www.bar-lospicapiedra.com

Café Negrito: Plaza Negrito 1. Tel. (34 96) 391-4233.

MYA: A entrada e o primeiro coquetel saem a 15. Av. del Saler 5, Cidade de Artes e Ciências. Tel. (34 96) 331-9745. www.umbracleterraza.com

COMPRAS:

Bugalú: Calle de la Lonja 6.Tel. (34 96) 391-8449.

Madame Bugalú y Su Caniche Asesino: Danzas 3. Tel. (34 96) 315-4476. www.madamebugalu.es

Slaughterhouse Books: Denia 22. Tel. (34 96) 328-7755. www.slaughterhouse.es

Gnomo: Denia 12. Tel. (34 96) 373-7267. www.elblogdegnomo.blogspot.com


Fonte: globo.com/viagens

sábado, 3 de setembro de 2011

Gostoso e Galinhos, as boas do verão no Rio Grande do Norte


NATAL - A pergunta talvez seja o maior clichê do turismo brasileiro. Assim que o bugueiro entra no Parque das Dunas, em Genipabu, a 25 quilômetros de Natal, ele pergunta aos seus passageiros: "Com ou sem emoção?". Nós também viajamos para o Rio Grande do Norte em busca de emoções. Mas não essas. Há outras, pouco conhecidas e ainda mais divertidas. O roteiro passa por São Miguel do Gostoso, que começa a ganhar projeção internacional por causa dos fortes ventos que atraem centenas de praticantes de kite surfe e windsurfe.

Ainda bem menos badalada, e mais distante de Natal, estão as vilas de Galinhos e Galos, localizadas numa belezura de península, e que seguem a mesma trilha, apresentando ótimas condições para a prática de esportes a vela. Pode anotar aí: esse lugarzinho logo vai estar muito falado. Porque é lindo, uma rara paisagem de duna, mangue, salinas, ruas de areia e mar de água limpa. Mas não ficamos apenas na preguiça da beira-mar. Saindo do litoral potiguar, circulamos pela região do Sertão do Seridó, em um programa que teve de rapel a visitas a minas de scheelita e observação de pinturas rupestres. Mas o que é scheelita, você deve estar se perguntando. A resposta está nas próximas páginas, acompanhada de muitas novas emoções. 

Galinhos não é uma ilha, mas quase isso. Pelo menos em termos práticos - e turisticamente falando. Porque para se chegar até lá só de barco, ou de 4x4, viajando pela praia, na maré baixa, e cruzando umas dunas. Quem não tem veículos capazes de vencer os obstáculos naturais que isolam Galinhos do restante do mundo precisa estacionar em Pratagil, a cerca de 160 quilômetros de Natal, de onde saem barquinhos que navegam até lá numa travessia de 20 minutos por águas tranquilas e abrigadas. Tínhamos Land Rovers, mas acabamos indo de barco mesmo.

Pratagil é um lugar feio. Para se chegar até ali, porém, passamos por um cenário agradável, com salinas e fazendas de camarão. Já o caminho de barco é lindo de morrer, com dunas, salinas e mangues. Nas árvores baixas e retorcidas descansam garças, brancas em sua maioria, mas também as azuis, mais raras e belas. Neste ambiente natural fantástico uma das coisas que mais chamam a atenção não são os bichos nem as plantas ou a cor das águas: são as montanhas de sal que se acumulam no terminal de embarque de navios.

- Certa vez veio até aqui uma equipe de Hong Kong para fotografar um ensaio de moda. Só que eram roupas de inverno, o sal virou neve - lembra Marcelo Ayres, carioca que mora em Natal, um dos guias da Tempo de Aventuras, agência que organiza vários roteiros pelo estado. 

O Rio Grande do Norte é um dos maiores produtores de sal do Brasil. Há quem faça seu tipo mais nobre por ali, a flor de sal (muito boa a versão potiguar, por sinal). Em Galinhos, um das principais zonas produtoras do estado, a flor de sal pode ser encontrada em caixinhas, com ou sem tempero de ervas. É o tipo de presente baratinho que vai agradar em cheio aquele seu amigo que curte cozinhar. Uma dessas caixinhas é o simpático regalo que a Pousada Peixe-Galo dá aos hóspedes que se hospedam ali.

Embora a história do sal seja bacana, o que faz de Galinhos um destino especial é a paisagem intacta, a rusticidade, o ambiente ainda imaculado de uma vila de pescadores onde vivem pouco mais de 2 mil pessoas e que mal começou a se abrir aos turistas. Não demore muito para ir até lá. Para virar praia da moda, basta um verão cheio de turistas. E Galinhos nunca mais será a mesma.

Neste conjunto de atributos que combinam charme e rusticidade estão os táxis locais: são pequenas charretes puxadas por cavalos, com espaço praticamente só para o condutor e dois passageiros. É sentado ali atrás, balançando ao sabor das ruas de areia, a melhor forma de se percorrer as praias do pedaço. Assim é que se deve ir até Galos (que, apesar do nome, é uma vila menor que Galinhos). 

Ao longo de toda a península há bons lugares para banho, com águas muito salgadas, claras e mornas. Além dos táxis que levam até os melhores lugares para esticar a canga (quem quiser passar o dia inteiro tem que levar barraca de sol e isopor abastecido, porque só em raros trechos existem barracas de praia), outro bom passeio é de barco, invadindo os braços de mar e rio que se encontram ali numa espécie de enseada criada pela península.

No fim da tarde é quase obrigatório, e merece ser repetido, ir até o farol (de táxi, claro). De lá se tem a melhor visão do pôr do sol que cai no mar naquela linda cena clássica em tons dourados e alaranjados que você conhece muito bem. Outra razão para se ir até o farol é o mar, que garante o melhor banho das redondezas, numa água clara, calma, rasa e quentinha, de onde não dá vontade de sair. 

No caminho cabe uma parada na cooperativa de artesanato local. As artesãs trabalham ali mesmo, fazendo rendas, bordados e peças de decoração. No trajeto até o farol, pela beira da praia, estão alguns ranchos de pescadores, com suas jangadas estacionadas, que só contribuem para embelezar o cenário. Não espere qualquer agito noturno. Galinhos é e - dizem os seus moradores, com ênfase - quer continuar sendo uma pacata vila de pescadores.

- Estamos lutando contra a massificação do turismo. Uma grande operadora quis botar um barcão para fazer passeios, mas os barqueiros da região protestaram e eles foram embora - relata Chesma Alves Marinho, secretária de turismo do município. 

Outro fator que bota Galinhos no mapa do turismo no Nordeste são os ventos fortes e constantes que sopram ali, atraindo muitos praticante de esportes a vela, principalmente da Europa.

- Queremos receber turistas, mas isso não significa muita gente, de maneira desordenada, com bares tocando música alta e sujeira - diz Ana Muller, dona da pousada Peixe-Galo.





Pousadas: para badalar, jantar, namorar e até dormir

Badalação noturna, em Galinhos, é ver novelas e assistir ao "Jornal Nacional" na pracinha principal da cidade. A TV comunitária, que durante o dia fica trancada a cadeado, é a principal atração da cidade. Mas isso é programa apreciado só pelo locais. Para os forasteiros o lugar mais animado, se é que se pode chamar assim, é a Pousada Brésil Aventure, que pertence a uma brasileira casada com um francês. Turistas, brasileiros e estrangeiros, se reúnem ali de noite para beber e petiscar. Na beira da praia, com mesinhas estrategicamente posicionadas para ouvir o marulho e sentir a brisa fresca, é realmente um lugar agradável para passar algumas horas. O restaurante da pousada serve uma comida simples. 

Um bom endereço para uma refeição é o restaurante Irene, na praia de Galos. Filha de pescador, a dona sabe lidar com pescados, montando um pequeno bufê onde se destacam a tainha frita, o camarão ao alho e óleo, as iscas de bagre (sim, bagre) e a mariscada, uns pequenos mariscos, primos do sururu, afogados em molho espesso, com leite de coco, coentro, tomate e cebola, sensacional, o melhor de tudo.

Outra boa pedida, principalmente para um jantar romântico, é o restaurante da pousada Oásis, que pertence a uma angolana e a um português. O cardápio tem clara inspiração lusitana, servindo receitas de bacalhau muito bem executadas. Peça pela musse de chocolate amargo, que encerra de forma gloriosa este jantar gostoso.

Em Galinhos, há basicamente quatro pousadas, digamos, aceitáveis - por enquanto. É tudo ainda muito rústico, mas com charme e algum conforto. A pioneira foi a Brésil Aventure, inaugurada em 2001. Depois veio a Oásis, aberta em 2002. Quatro anos depois foi a vez da Peixe-Galo. E mostrando que o ritmo de crescimento do turismo em Galinhos é bem lento, só no finalzinho do ano passado, em novembro, abriu as portas mais uma boa pousada na península, a Amagali - a exemplo da Brésil Aventure, também pertence a uma brasileira casada com um francês. 

A novidade, que está ganhando novos quartos para o verão, é a melhor pousada para casais, com uma piscina voltada para o mar e cercada de espreguiçadeiras confortáveis protegidas do sol por ombrelones. Há dois chalés com teto de sapê, varandinha com rede e vista para o mar, ambientes propícios para uma lua de mel.

A Peixe-Galo não fica atrás em termos de conforto, com quartos bem equipados e uma boa piscina. O destaque vai para o mezanino acima do restaurante onde é servido o café da manhã. Todo envidraçado, com linda vista do mar, tem pufes espalhados pelo chão, um ótimo lugar para apreciar o mar e o céu estrelado (aliás, favorecido pela pouca luz: como tem estrelas o céu de Galinhos).

A Oásis, por sua vez, tem a decoração mais charmosa de todas, e uma cozinha de alto nível, enquanto a Brésil Aventure tem um perfil mais jovem e despojado. Agora é só escolher a sua.

Gostoso: praia que faz jus ao nome

Viajar de Galinhos a São Miguel do Gostoso, ou vice-versa, é parte de um passeio clássico nordestino, o circuito de praias entre o Rio Grande do Norte e o Maranhão, quase todo feito pelo litoral, sempre na maré baixa, numa caravana de Land Rovers. O caminho é pela beira-mar, vez ou outra subindo umas dunas até chegar a falésias com vista espetacular.

No trajeto aparecem algumas vilas de pescadores, como Caiçara do Norte, onde existe um farol. Ali é possível, com alguma sorte, ver a pesca de arrastão, que traz camarões e peixes na rede. Para quem gosta de cozinhar, os preços dos pescados são uma piada: um robalo imenso, com cerca de cinco quilos, pode custar apenas R$ 20, enquanto um quilo de camarão grande não passa de R$ 7 ou R$ 8. Ou seja: com pouco mais de R$ 30 dá para fazer um banquete para umas oito ou dez pessoas.

Gostoso, como também é conhecido o lugar, a cerca de 120 quilômetros de Natal e com fácil acesso, já não é nenhum segredo guardado só por turistas de espírito mais despojado e aventureiro, como Galinhos. Pelo contrário. É famoso entre os que visitam Natal e, mais que isso, sem desprezar praias do Ceará, é o destino da vez quando o assunto é windsurfe e kite surfe no Brasil. 

- Temos condições perfeitas para o esporte. Quem ama o kite surfe já conhece e alguns dos melhores atletas do mundo vêm até aqui para treinar - conta o italiano Paolo Migliorini, dono da Dr. Wind, misto de albergue, escola e clube de vela, com uma invejável estrutura para receber adeptos do esporte, com equipamentos para alugar e área para lavar e guardar pranchas e acessórios.

Logo ao lado funciona a pousada Mi Secreto, administrada por Paolo - que chegou a ser campeão italiano de kite surfe. Trata-se de uma mansão adaptada para receber hóspedes, com apenas cinco chalés.

Com menos de dez mil habitantes, Gostoso é mais desenvolvida que Galinhos, e isso é bom e ruim. Se por um lado o seu sossego pode ser perturbado por um show de forró do Calcinha Preta, tocando no último volume nas caixas de som do clube local, reaberto recentemente, a estrutura para acolher os turistas é bem melhor. Há pelo menos uma dezena de boas pousadas, e o mesmo número de restaurantes dignos. 

Um endereço imperdível para os que apreciam a boa mesa é a pousada Mar de Estrelas, que funciona num amplo terreno com árvores frutíferas que começa na rua principal de Gostoso e chega até a areia da praia. Isso porque os donos têm uma fazenda, do outro lado da estrada, de onde vem boa parte da matéria-prima das receitas. O coco, por exemplo, é colhido na hora de servir, fresquinho.

- Todos os dias, de manhã, fazemos queijo coalho. Mas a minha especialidade é cabrito, servido com feijão verde e pirão de leite, e também os bolinhos de macaxeira - diz Maristela Ribeiro Teixeira, a dona, que cuida da cozinha.

Nos últimos anos o Rio Grande do Norte recebeu muitos portugueses. Alguns deles foram ficando, ficando. Gente como a lisboeta Fernanda Vaz Monteiro, que escolheu o lugar para viver. Ela abriu, em 2008, a pousada Lagoa Mar, com apenas seis quartos. Craque nas panelas, comanda ainda o restaurante Dom Bacalhau, que funciona na pousada.

- Além das receitas de bacalhau preparamos outros clássicos portugueses, como cataplana de peixe e camarão - conta Fernanda que, sob encomenda, também faz arroz de pato e cabrito assado.

Outra boa pousada com restaurante recomendável tem nome muito adequado: Só Alegria. De fato, a simpatia dos donos carrega de felicidade o ambiente e o serviço. A localização das mesas, cobertas com toalhas coloridas e vasos com flores, é estratégica, numa varandinha com vista para o mar. 

A noite é mais animada que em Galinhos, o que não significa que haja muita badalação. Mas nos fins de semana sempre tem uma festinha acontecendo. O melhor lugar para se aquecer, ou mesmo para gastar a noite toda, é no Madame Chita, misto de bar, creperia e loja, com mesinhas espalhadas pela rua num ambiente muito charmoso. Por mais que as peças vendidas ali sejam mesmo bonitas e originais, e que o crepe seja de fato gostoso, o que torna o lugar imperdível é a seleção de caipirinhas, com destaque para três: de seriguela, de cajá com raspas de limão e de banana com canela. Outra boa pedida é o bar J. Sparrow's, na Ponta do Santo Cristo, uma espécie de pub praiano, com estrutura de madeira e sapê, trilha sonora roqueira e muitos estrangeiros, especialmente os que frequentam o Dr. Wind, pertinho dali.

Cultura do sertão inspira ambiente e cardápio de pousada

A pousada Casa de Taipa está entre as mais charmosas do Rio Grande do Norte. A decoração, 100% original, é obra do artista plástico Marlos Camilo, um dos sócios, que pintou as mesas, muito coloridas, com motivos bem nordestinos, como barcos de madeira, coqueirais e cajus. Ele também fez os quadros que enfeitam os quartos.

E ainda constrói miniaturas perfeitas, como a casa de taipa na foto ao lado, que parece de verdade. Essa não é, mas a pousada tem uma espécie de minimuseu aberto a não hóspedes. No jardim há uma réplica perfeita de uma casa de taipa, com lamparinas, colchão de palha e objetos típicos. Na recepção ficam peças antigas, doadas por moradores.

- Certa vez duas hóspedes pediram para dormir na casa de taipa, queriam sentir como é passar a noite no colchão de palha - lembra Ruy Mazurek, um dos sócios da pousada.

Apesar de estar em São Miguel do Gostoso, a pousada Casa de Taipa não quer lá muito saber do mar. Tanto que nem fica próxima à praia. Ali o sertão é que inspira a decoração. Da mesma maneira, apesar de ter alguns pescados, o cardápio do restaurante é voltado para pratos sertanejos, como a paçoca e o arrumadinho de carne de sol.

POUSADAS E RESTAURANTES

GALINHOS

Amagali: Diárias a partir de R$ 80. Tel. (84) 3552-0083. www.amagali.com

Oásis: Diárias a partir de R$ 170. Tel. (84) 3552-0024. www.oasisgalinhos.com

Peixe-Galo: Diárias a partir de R$ 190. Tel. (84) 3552-2001. www.pousadapeixegalo.com.br

Irene: Restaurante com bufê de peixes e frutos do mar frescos. Tel. (84) 3552-2016.

SÃO MIGUEL DO GOSTOSO

Só Alegria: Diárias a partir de R$ 200. Tel. (84) 3263-4355. www.pousadasoalegria.com.br

Casa de Taipa: Diárias a partir de R$ 100. Tel (84) 3263-4227. www.pousadacasadetaipa.com.br

Mar de Estrelas: Diárias a partir de R$ 150. Tel. (84) 3263-4168. www.pousadamardeestrelas.com.br

Lagoa Mar: Diárias a partir de R$ 220. Tel. (84) 3263-4192.www.pousadalagoamarrn.com